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Equalizer sound wave background theme. Colour illustration.

A MENTIRA E A VOZ

Sabe-se que a voz é difícil de controlar baixo pressão. A fala sem emoção, ou que chamamos de fala dura, revela traços de que algo não esta sendo verdadeiro no discurso. Os estudiosos Vrij, Edward, Roberts e Bull (2000), desenvolveram um estudo sobre como detectar a mentira através da conduta verbal e não verbal, e chegaram a conclusão que os mentirosos apresentam mais distúrbios na fala e esperavam mais tempo antes de dar uma resposta em comparação a uma pessoa que dizia a verdade. Existem componentes da fala como freqüência, duração e qualidade da voz que são importantes para identificar as emoções e somente a prática e a observação irão aperfeiçoar nossos conhecimentos em detectá-las. 

Quando tentamos disfarçar um sentimento, geralmente mudamos um pouco a voz, no sentido de dissimular a verdadeira emoção que estamos sentindo, entretanto, nem sempre somos fiéis a esta intenção, pois para identificar as verdadeiras características da comunicação do interlocutor é preciso observar não apenas a sua voz e as suas modulações, mas aspectos da linguagem não verbal, como a sua expressão facial e corporal, ou melhor, o seu conjunto.

Especialistas afirmam que, em uma mentira preparada, a fala sai mais rápida do que geralmente se comunica o interlocutor, uma mentira não preparada, a velocidade diminui e as pausas aumentam, além de gaguejar, parpamudear, entre outros sinas. Neste caso, o interlocutor deve ser uma pessoa conhecida do ouvinte, tendo que haver alguma relação para que a pessoa identifique normalmente como se comunica habitualmente. Entretanto temos que ser cautelosos ao tentar identificar se uma pessoa está mentindo ou não, pois ainda não existem dados empíricos e científicos embasados que comprovem que falta de claridade, maior duração de pausa, balbuceios ou gaguejar tem uma vinculação direta com o engano.

Mas o que podemos investigar é que existem diversos estudos que demonstram a existência de uma variação de padrões acústicos que caracterizam cada emoção dependendo do idioma e da cultura dos indivíduos. (Munhoz e Jiménez, 1990). Mas, os parâmetros acústicos e a velocidade da fala será útil para diferenciar as emoções de ira, alegria, tristeza, entre outras.  

Costumo dizer que a voz é um laboratório de emoções e deve ser explorada como um cientista, com diversos testes, devemos antes de falar, pensar que ações e reações queremos obter e assim utilizar todas as suas nuances. Muitas vezes, nos damos conta que não conseguimos nos comunicar bem, ainda que a intenção tenha sido a melhor, e em vez de gerar uma reação positiva, recebemos uma reação negativa, o que chamamos de mal entendidos.

Devemos provar as diferentes formas de falar, vale ressaltar que falar é diferente de dizer, falar é emitir som, dizer é utilizar conscientemente elementos da linguagem verbal e não verbal para transmitir a mensagem desejada, quando por exemplo, se pensa no tom, na velocidade, na modulação, se olha nos olhos e seu corpo transmite em conjunto a veracidade do que se quer revelar.

 A voz é o retrato sonoro da nossa personalidade, de nossos estados anímicos e emocionais. O seu uso consciente pode afastar ou aproximar as pessoas, gerando sociabilidade ou não. Assim que, usemos a nossa voz a nosso favor!

(Autora: Inaiá Simões, realizou estudos sobre a voz, comunicação verbal e não verbal).